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A Beleza Plus Size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões impostos pela sociedade
A Beleza Plus Size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões impostos pela sociedade

A Beleza Plus Size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões impostos pela sociedade

Hey, Habib! A Revista Oka te convida à leitura de uma entrevista sobre a beleza plus size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões impostos pela sociedade. Você, em algum momento, já se pegou insatisfeita por ter qualquer característica física diferente da comumente aceita pela nossa sociedade?

Infelizmente, sentir-se assim é comum por grande parte das mulheres, que lutam, muitas vezes, contra si mesmas, para pertencer a um padrão. Para nos ajudar a compreender essa temática, convidamos a professora e modelo plus size Larissa Ferraz para compartilhar um pouco da sua realidade, luta e busca pela representatividade real. Confira!

[Revista Oka] Conta pra gente sobre você, Larissa. Queremos conhecer um pouquinho da sua história de vida, relação com a beleza plus size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões.
A Beleza Plus Size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões impostos pela sociedade
Foto: Larissa Ferraz – Acervo Pessoal

[Larissa Ferraz] Me chamo Larissa Ferraz, tenho 29 anos e moro no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. Tenho um filho de 2 anos, sou professora, atualmente curso pedagogia para complementar minha formação e gosto muito de lecionar. Ao longo da minha trajetória de vida transitei em vários corpos.

Sempre me cobrando para possuir um corpo que se encaixasse em um padrão que de fato não era o meu. Nesse processo, me identifiquei com o universo plus size. Me inspirei em muitas mulheres, em suas histórias, suas descobertas sobre seus corpos e iniciei esse processo interno. Comecei a refletir sobre a minha história , sobre tudo que me trouxe até aqui e me fez ser a mulher que sou.

Me fez lembrar de cada marquinha que meu corpo tem, da história por trás delas e de todo sentimento que vem junto. Por que não amar esse corpo? Por que querer transformá-lo apenas para agradar aos olhos do outro? Comecei a me perceber e valorizar como a mulher única que sou, com defeitos e qualidades como qualquer outra, mas especial por minhas particularidades.

[Revista Oka] Como foi e como está sendo a sua relação com seu corpo? Seu relato contribui, significativamente, para uma possível identificação de muitas outras mulheres.

[Larissa Ferraz] Minha relação com meu corpo sempre foi de altos e baixos. Desde a adolescência quando, de fato, comecei com essa briga interna sobre o meu corpo e de como queria que ele fosse. Mas, não por mim, apenas para que eu fosse aceita por aqueles que estavam ao meu redor. Diria que minha relação atual com meu corpo é independente.

É única, só minha. Não preciso da aprovação e aceitação do outro. Olho no espelho, me amo e me respeito, acima de tudo. Valorizo todo o processo de construção da mulher que sou hoje, com minhas lutas, alegrias, tristezas, superações e todas as demais coisas e situações que me fizeram chegar até aqui.

[Revista Oka] Fala pra gente sobre os desafios que você enfrentou ou enfrenta por “estar fora dos padrões de beleza” cultuados por uma sociedade, infelizmente, machista, limitante e em constante processo de desconstrução.

[Larissa Ferraz] Acredito que, nesse momento, não falo apenas por mim, mas por muitas mulheres que enfrentam o desafio diário do culto ao “corpo perfeito” imposto pela sociedade, de forma geral. Essa busca, muitas vezes, leva mulheres a se submeterem a processos difíceis e dolorosos para que consigam se encaixar no tal padrão.

Mas aí eu pergunto: o que seria um corpo perfeito? Há quem diga que seria um corpo magro, ou quem diga que seria um corpo curvilíneo. Até mesmo quem diga que seria um corpo com “carne para ter onde apertar”. Quantas vezes ouvimos isso, não é mesmo? Perfeição não existe. Corpo padrão não deveria existir. Nossos corpos são únicos.

Acredito que esse seria meu principal desafio, contribuir para essa quebra de condutas e ações que levam tantas mulheres a odiarem seus corpos, a se maltratarem com dietas malucas, a se submeterem a diversos procedimentos cirúrgicos e a sofrer por seu corpo não se parecer com aqueles que aparecem nas propagandas e mídias.

[Revista Oka] Você, sendo uma mulher empoderada, retrato da beleza plus size, já enfrentou a gordofobia? O que você acha que leva alguém a cometer tal ofensa e em quais soluções você acredita para acabar com esses ataques de ódio ao corpo alheio?

[Larissa Ferraz] Já enfrentei a gordofobia muitas vezes. De formas um tanto sutis, outras vezes até disfarçadas de elogios. Acredito que a educação é primordial para acabar com esse preconceito. É necessário compreender que a palavra gordo/gorda não é ofensa, e sim uma característica. É de suma importância também compreender que ser gorda não é sinônimo de ser ou estar doente.

O peso de uma pessoa nunca foi e não é o principal indicativo para sinalizar doenças. Então, esse é um recado para você, que se diz preocupado com a saúde de um parente por ele estar acima do peso, ou você que fala para uma amiga que ela é linda de rosto e que deveria emagrecer. Pra você também que fala para sua filha que ela é muito nova para ser tão gorda. Você que fofoca sobre o fato de uma mulher gorda usar biquíni na praia e a chama de corajosa… Apenas parem.

Assim, vocês estão praticando a gordofobia. Estão agindo de forma tóxica e agressiva sobre o corpo de uma pessoa e sobre suas características. Sejam melhores que isso. Informação nunca é demais e a ignorância a cada dia se torna mais obsoleta. Precisamos de forma geral compreender que o corpo gordo não é um erro, nem mesmo sinal de relaxamento e negligência pessoal. Não se mede vaidade e muito menos saúde através de características corporais.

[Revista Oka] Pra você, o que é, de fato, a representatividade? Você acredita que o empoderamento feminino está contribuindo para a quebra de crenças limitantes? De qual forma esse movimento de mulheres pode revolucionar a forma com que a sociedade nos rotula?

[Larissa Ferraz] Representatividade é força, identificação e comprometimento, dentro de um grupo ou uma causa. É ser um canal de motivação e inspiração para tantas mulheres que lidam diariamente com o preconceito e a gordofobia apenas por serem quem são. É mostrar para elas que ninguém pode exercer direito algum sobre o corpo delas e inspirá-las a serem o que quiserem ser.

Juntas somos mais fortes. É empoderar a tantas outras mulheres que se identificam com a sua história e sua luta. Quando nos empoderamos damos, automaticamente, poder a nossa causa e somos capazes de conscientizar a tantas mulheres sobre quem elas são e podem vir a ser. É uma forma de segurar suas mãos e dizer que estamos aqui uma pela outra.

Com ações como essas conseguimos quebrar inúmeros pensamentos e atitudes limitantes que levam a sociedade a nos rotular e agir de forma preconceituosa e gordofóbica. Que possamos, cada dia mais, nos empoderar e inspirar umas as outras. Juntas, somos a mudança que queremos na sociedade.

Hey, Habib! Que entrevista, né? U-A-U! Agora que você entendeu um pouco sobre a beleza plus size e os desafios enfrentados por quem foge aos padrões, CLIQUE AQUI para conferir várias dicas de moda para mulheres plus size, pela maravilhosa consultora de imagem e estilo, Marta Barbosa.

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