fbpx
Livro Abusada: Padre, eu pequei por Susete Pasa
Livro Abusada: Padre, eu pequei por Susete Pasa

Livro Abusada: Padre, eu pequei por Susete Pasa

Hey, Habib! A pauta de hoje, oferecida pela Revista Oka, é uma entrevista com a autora Susete Pasa sobre seu livro “Abusada: padre eu pequei“. Na obra, é abordada a sua experiência envolvendo uma longínqua relação que, com o passar do tempo, mostra-se um relacionamento abusivo.

Além de desmistificar os demais tipos de violência contra a mulher que, muitas vezes, só causam comoção quando afetam a integridade física, o leitor acaba testemunhando os abusos psicológicos e seus desmembramentos. Agora, você vai conhecer um pouco mais sobre a autora e sua impactante obra. Confira!

[Revista Oka] Susete, primeiramente, é um prazer conhecê-la. Conta um pouco sobre você e sua trajetória, pra quem ainda não lhe conhece.

Livro Abusada
Autora Susete Pasa | Imagem: Arquivo Pessoal

[Susete Pasa] No fundo sou uma menina sonhadora e romântica, nascida numa cidadezinha do Sul do Brasil chamada Arroio do Tigre. Desde cedo gostei de livros. Amo crianças de maneira absurda e minha maior paixão é meu filho, “Guilherme.” Eu escrevi meu primeiro livro com o objetivo de exorcizar toda a dor e tristeza que guardava dentro de mim. Tenho um coração enorme e muita alegria de viver.

[Revista Oka] Como autora do livro “Abusada”, compartilha conosco como foi desenvolver essa obra. O que te levou a escrever um livro contando a sua própria história?

[Susete Pasa] O livro serviu como uma catarse emocional. Serviu para eu quebrar meus próprios tabus ao enfrentar o fim de um relacionamento abusivo. Depois de 24 anos casada, mesmo diante de ameaças, vergonha e medo, decidi dar um basta e romper definitivamente com a relação abusiva em que vivia.

Me libertei do ciclo vicioso do abuso através de muita leitura, remédios contra a depressão e muita terapia. Me transformei em uma nova mulher ao escrever a minha história. Eu literalmente renasci.

[Revista Oka] Pra quem ainda não leu, explica do que se trata o seu livro “Abusada: padre, eu pequei” e quais questões ele aborda.

[Susete Pasa] Que menina não adora ouvir lindas histórias narradas sobre princesas? Eu amava! Cresci sonhando em viver uma linda história de amor, e tudo se encaminhava para que este sonho se tornasse realidade, até que o sonho mudou.

O príncipe dos sonhos de infância se tornou um rei autoritário e cruel, que me manteve presa em jaulas invisíveis de dependência, culpa, sentimento de inferioridade, humilhação e ciúmes. A força do amor de uma mãe consegue o impossível.

Ela se liberta, se torna sua própria rainha e mostra o verdadeiro valor de uma mulher. O livro mostra a dificuldade de sair de um ciclo vicioso de abusos, e a importância de acreditar em si mesma.

[Revista Oka] Qual foi a repercussão que você teve quando a sua obra começou a ser lida, na visão de desconhecidos e de pessoas próximas? Além disso, algo mudou na sua vida ou dentro de você, depois de publicar a sua obra?

Livro Abusada: Padre, eu pequei por Susete Pasa

[Susete Pasa] Primeiramente, a minha família ficou horrorizada por tudo que eu vivi. Eu nunca contei o que sofria entre quatro paredes. Então, sem dúvida alguma, escrever a minha história me libertou. Obviamente existe muito preconceito e não entendimento na questão de: “abuso psicológico”, infelizmente vivemos em uma sociedade machista.

Também sofri abusos intensos após o lançamento do livro como abuso patrimonial. Percebi o quanto a justiça é lenta, apesar dos avanços através da lei maria da Penha. Uma em cada cem mulheres procura a Justiça no Brasil para denunciar casos de violência doméstica. Entretanto, estatísticas mostram que apenas 5% dessas denúncias tiveram andamento. Independente do retorno judicial, escrever me libertou.

Isso é minha maior vitória. Eu sei que através da minha história muitas mulheres poderão se identificar e se encorajar para quebrar o ciclo vicioso da violência. Esta é a minha maior conquista. Perceber que eu tenho valia, que eu sou capaz, que posso, sim, viver sem ele. Que posso servir de exemplo de superação. Esta sensação é INDESCRITÍVEL.

[Revista Oka] Que mensagem de apoio você deixa para as incontáveis mulheres que estão, nesse momento, sofrendo algum tipo de violência?

[Susete Pasa] Que o término de um relacionamento abusivo não é nada fácil para nenhuma vítima, infelizmente. Existe um caminho tortuoso a percorrer. Você terá dias bons e ruins, com altos e baixos, até chegar na etapa de “finalmente estou bem”. O mais importante é reconhecer os sinais de que se está num relacionamento abusivo, e sair dele o quanto antes.

Muitas vezes, quando esse entendimento vem à tona, as cicatrizes deixadas já são profundas. Com base em experiências vividas por mim, além de muitos relatos lidos ao longo do último ano, agora posso apoiar e dizer que é possível se libertar. O meu maior objetivo é continuar ajudando a atravessarem esse momento tortuoso. Ajudar a construir internamente o processo para se libertarem e curarem suas feridas.

A experiência de um relacionamento abusivo deixa cicatrizes profundas. Mas a boa notícia é que as marcas dessa vivência dolorosa podem vir a ajudar e resgatar outras mulheres. O relacionamento abusivo ao qual você sobreviveu, pode salvar outras mulheres. Dê voz ao seu silêncio. Compartilhe a sua história. Toda mulher tem uma guerreira dentro de si, uma vencedora capaz de unir-se a outras e, juntas, vencerem o abuso através de força mútua, informação, e desejo de se libertar.

Hey, Habib! Agora que você conheceu mais sobre a autora Susete Pasa e seu livro “Abusada: padre eu pequei”, CLIQUE AQUI para ler sobre os 5 tipos de violência contra a mulher. Aprenda a identificar os sinais!

Comentários

Leia Mais
Fica Dica Curitiba por Fernanda Bavia
Fica Dica Curitiba por Fernanda Bavia