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Uma luta por inspirar outras mulheres com deficiência visual | Revista Oka
Uma luta por inspirar outras mulheres com deficiência visual | Revista Oka

A história de Marlene Mello e sua luta por inspirar outras mulheres com deficiência visual

Hey, Habib! A pauta destaque na Revista Oka enaltece e dá protagonismo a uma mulher real super inspiradora. Dessa vez, convidamos a cabelereira e influenciadora Marlene Mello do instagram @princesinhaclarinha para falar um pouco sobre sua vida e trabalho, com a deficiência visual, que vem surpreendendo e conquistando uma audiência cada vez maior nas redes sociais.

Marlene é uma mulher cheia de alegria de viver. Sua condição não a impede de cuidar dos seus filhos, Ana Clara e Antony Gustavo, do seu esposo Alex e de ter uma rotina agitada. Muito pelo contrário, além da vida familiar, ela compartilha sua rotina com mais de 370 mil seguidores no instagram, faz vídeos de automaquiagem e é uma profissional da beleza de mão cheia!

Uma história de lutas e superações

Eu me chamo Marlene Mello, tenho 30 anos, mãe da Ana Clara (3 anos) e do Antony Gustavo (3 meses). Aos 17 anos eu tive hidrocefalia neurocisticercose e uma lesão no tronco cerebral, onde eu perdi a visão devido à hidrocefalia e pela demora para colocar a válvula. Na época não tínhamos condições para pagar a cirurgia. Passei 2 meses internada, aguardando na fila do SUS e fiquei muito mal, quase morrendo”.

No fim, consegui fazer a cirurgia mas, mesmo assim, pela demora, não teve jeito e eu acabei perdendo a visão. Nasci em Fortaleza – CE mas, hoje, estou morando em São Carlos – SP. Tive que vir para São Carlos por engravidar do Antony e as coisas em Fortaleza estarem bem difíceis. Eu não estava mais trabalhando no salão e logo que nós chegamos lá, quando a Clarinha nasceu, tivemos que recomeçar o nosso trabalho em Fortaleza”.

“Não conseguimos ter uma clientela como tínhamos antes e as coisas ficaram muito difíceis, dando início à nossa luta para vir a São Carlos. Lá eu não tinha plano de saúde, nem ajuda para ficar com a Clarinha e estávamos preocupados com o outro bebê. Para fazer os pré-natais eu fazia pelo posto e enfim, não tinha ajuda de ninguém. As coisas ficaram difíceis financeiramente e era só nós dois, deficientes visuais, para cuidar de tudo: da casa, da Clarinha…”

Um desafiador e necessário recomeço …

Nós fizemos uma vaquinha no nosso instagram para conseguir vir para São Carlos. Foi muito difícil. A gente conseguiu pagar nossa mudança e as passagens pra gente vir. Nossos seguidores também pagaram para a gente ficar hospedado em um flat, por 11 dias, até a viagem. A gente tinha entregado o apartamento que morávamos, que era alugado. Passamos uma barra muito grande em Fortaleza“.

A gente está morando em São Carlos – SP mas, infelizmente, não estou trabalhando com o meu salão porque a transportadora que trouxe nossa mudança perdeu muita coisa, quebrou nossos lavatórios, isso está sendo resolvido. Hoje a gente está trabalhando com as redes sociais. No instagram nós vimos uma oportunidade de trabalho já que, no momento, não estou podendo trabalhar no salão. A gente vai segurando da forma que dá para conseguirmos alguma coisa para as crianças”.

A beleza está além dos olhos de quem vê

Antes de perder a visão, eu sempre fui muito apaixonada por essa área de beleza: cabelos, cuidados com a pele, maquiagem. Quando eu me deparei com a situação de deficiente visual, onde eu vi que estava perdendo a visão, eu entrei em depressão e tentei tirar minha própria vida. Relacionado à maquiagem eu decidi, com o tempo, dar a volta por cima e pensei: eu não quero ter que depender das pessoas pra fazer minha própria maquiagem, então eu vou aprender a me maquiar”.

Foi quando chamei minha mãe e pedi que ela ficasse me olhando para eu passar um lápis de olho. A primeira coisa que tentei passar foi o lápis de olho por ser algo que eu achava que não iria conseguir. Falei pra minha mãe: eu vou passar o dedo na minha linha d’água para sentir onde ela é e sentir que estou passando algo nela. Assim, comecei a observar a textura dela através do deslizamento“.

Encontrando formas de alcançar autonomia com a automaquiagem

Confesso que, várias vezes, ao tentar passar o lápis, ele acabou pegando no meu olho, outras vezes borrava mas eu fui tentando até conseguir. Desde a primeira vez eu falei: eu vou conseguir fazer a minha maquiagem mesmo sem enxergar. Aí eu falei para minha mãe: agora quero fazer a maquiagem completa e minha mãe falou: misericórdia (risos). Assim, a forma que encontrei de deixar tudo uniforme usando as mãos ou pincel foi contando as vezes que passava os produtos“.

Por exemplo: a base, que eu aplico no rosto todo, com a mão, pincel ou esponjinha. Assim, vou prestando atenção se está uniforme no rosto. Nas mãos, a textura fica diferente da base e da pele. Depois de seco, eu passo a mão por todo o rosto para sentir a diferença da textura. Para minha maior segurança, eu sempre finalizo com um pincel de duas cerdas, o duo fiber, para ter a certeza que foi bem espalhado. Já com o pó, eu conto as vezes. Na metade do rosto eu passei duas vezes na bochecha, do outro lado também vou passar duas vezes“.

Técnicas simples e que fazem a diferença

Na testa vou passar duas vezes, no nariz e no queixo, depois eu espalho tudo. O blush, eu sempre vou na loja e pergunto: olha, qual a cor desse blush? Procuro sempre por alguém que entenda de maquiagem. Se eu passar duas vezes na bochecha, fica um tom legal? E para a noite, quantas vezes? Aí eu decoro. Por exemplo: vou passar o blush duas vezes de um lado, então tenho que passar duas vezes no outro lado. É basicamente isso. Com o batom, também consigo sentir a textura dos lábios, então vou direcionando o contorno da boca e isso super facilita“.

O rímel eu aplico de duas formas: a tradicional e a que estou aprendendo. A dificuldade de passar o rímel mais gordinho, eu pedi ajuda de uma amiga para encontrarmos a melhor forma. Assim eu aprendi a passar colocando o dedo e piscando em cima. Para fazer contorno e usar o iluminador, é da mesma forma. Só ainda não consigo aplicar os cílios postiços e usar o delineador mas eu estou lutando para aprender e eu vou conseguir“.

“O mundo da maquiagem para as pessoas com deficiência visual também é uma arte”

Nós, mulheres com deficiência visual, nos sentimos muito bem usando maquiagem e hoje trazer essa inclusão para meninas com deficiência visual a se automaquiar, a entender que são capazes e que podem fazer coisas consideradas impossível pelas pessoas que enxergar, pra mim é muito gratificante . Eu tenho lutado, a cada dia, para melhorar e conseguir ajudar essas meninas também“.

VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA

Foto: arquivo pessoal

Marlene continua a sua batalha pessoal junto com sua família. Após uma difícil mudança de estado, ela se viu diante de um novo desafio: manter-se morando perto da sua sogra, que tem sido, literalmente, seus olhos. Uma vakinha foi criada para que, mais uma vez, a corrente do bem mostre a sua força. Confira a história abaixo e CLIQUE AQUI para ajudar!

“A casa que moramos atualmente, de aluguel, está a venda. Somos deficientes visuais, temos um casal de filhos Ana Clara de três anos e o Antony Gustavo de 3 meses. Não temos condições para comprar e fica em frente à casa de minha sogra que nos ajuda com as crianças. Não podemos sair de perto dela, pois ela é nossos olhos e não temos onde morar. Peço, encarecidamente, que nos ajudem doando, compartilhando e orando”. @princesinhaclarinha

Sonhos a serem realizados e muita fé

“Como eu falei, a empresa contratada para fazer o transporte com nossa mudança acabou danificando muitas coisas e uma delas foi toda a minha maquiagem que foi derramadas e não temos como comprar novamente para voltar a produzir os vídeos mas estamos lutando para que empresas encontrem a gente e nos ajude para que eu possa fazer vídeos, novamente, de maquiagem para meninas com deficiência visual”.

“Hoje, eu moro em São Carlos, frente à minha sogra. A gente alugou uma casa em frente à ela pois ela tem sido os nossos olhos e nos ajudado com as crianças. Em Fortaleza nós sofremos muito com isso e hoje temos a ajuda da minha sogra. Me sinto muito honrada e vejo tudo isso como um propósito de Deus. Eu luto para encontrar um médico, um dia, que estude o meu caso e me ajude a voltar a enxergar. Hoje eu não reclamo mais da minha deficiência visual”.

O céu é o limite

“Tem horas que eu fico triste por não conseguir fazer algo mas quando eu faço a minha automaquiagem eu sei que estou inspirando outras meninas com deficiência visual a fazerem sua própria maquiagem e a se sentirem ainda mais lindas. Eu tenho agradecido muito a Deus por me capacitar pois eu vejo isso como o agir de Deus na minha vida. Se não fosse Deus me capacitando, me ajudando, segurando as minhas mãos e me conduzindo, eu acho que não conseguiria”.

Nunca desistam dos seus sonhos e acredite que você é capaz. Você pode se superar a cada dia. Nós podemos mostrar ao mundo o quanto somos incríveis, capazes e que quando se tem um sonho é possível realizar. Uma frase que sempre carrego comigo é: o céu é o limite.

Hey, Habib! Agora que você conheceu a influenciadora Marlene Mello e sua luta por inspirar outras mulheres com deficiência visual, CLIQUE AQUI para conhecer a história de Themis Briand e a automaquiagem para deficientes visuais.

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